Relatórios de vendas: os 8 indicadores para olhar toda semana

Relatórios de vendas: os 8 indicadores para olhar toda semana

Faturamento, ticket médio, margem, vendas por hora e produtos parados. O que cada indicador mede, como ler e qual decisão ele desencadeia na prática.

5 min de leitura

Quase todo PDV gera relatório. Quase ninguém usa. O motivo não é preguiça: é que um painel com vinte gráficos não diz o que fazer na segunda-feira de manhã.

Este artigo reduz o problema a oito indicadores e, para cada um, responde à única pergunta que importa: qual decisão sai daqui.

1. Faturamento do período

O que é: o total vendido num dia, semana ou mês.

Como ler: nunca sozinho. Uma terça de R$ 3.500 não significa nada sem comparação com a terça anterior e com a mesma terça do ano passado. Comércio é sazonal; comparar só com o período anterior faz você comemorar em dezembro e entrar em pânico em janeiro.

Qual decisão: se o desvio se sustenta por três ou quatro períodos seguidos, é hora de revisar mix, preço ou concorrência. Desvio pontual quase sempre é clima, feriado ou obra na rua.

2. Número de vendas

O que é: quantas vendas, independentemente do valor.

Como ler: é o seu indicador de fluxo. Se cai, entra menos gente ou ela compra menos vezes.

Qual decisão: número de vendas se combate com atração — vitrine, redes sociais, promoção, horário. Não se resolve aumentando preço.

3. Ticket médio

O que é: faturamento dividido pelo número de vendas.

Como ler: mede quanto cada cliente gasta por visita. Junto com o indicador anterior, ele decompõe qualquer variação: se você vendeu menos, foi porque veio menos gente ou porque cada um gastou menos? São dois problemas diferentes com duas soluções diferentes.

Qual decisão: ticket médio sobe com venda casada, tamanho maior, combos e produto de impulso perto do caixa.

4. Margem bruta

O que é: a diferença entre o que você vende e o que custou, em reais e em percentual.

Como ler: é o indicador que separa faturar de ganhar. Exige ter cadastrado o preço de custo de cada produto; sem esse dado o relatório não existe.

Qual decisão: quase todas. O que promover (o de margem alta), qual produto parar de trabalhar, qual preço rever quando o fornecedor aumenta.

Um caso clássico: o produto mais vendido tem margem baixa e o terceiro da lista tem margem alta. Colocar o terceiro em evidência gera mais lucro do que vender dez unidades a mais do primeiro.

5. Vendas por hora

O que é: como o faturamento se distribui ao longo do dia.

Como ler: desenha seus picos e vales reais, que raramente batem com a impressão que se tem.

Qual decisão: escala de equipe — a decisão de maior impacto financeiro deste artigo — e horário de funcionamento. Também quando lançar promoção de vale para achatar a curva.

6. Ranking de produtos

O que é: o que mais vende, em unidades e em valor.

Como ler: olhe sempre as duas listas. O produto que move mais unidades raramente é o que deixa mais lucro.

Qual decisão: o que nunca pode faltar, o que merece lugar na vitrine e o que precisa estar acessível sem busca na tela de venda.

7. Produtos sem venda

O que é: itens que não venderam em 30, 60 ou 90 dias.

Como ler: é dinheiro imobilizado. Cada unidade parada é capital que você não pode usar para comprar o que gira.

Qual decisão: liquidar. Produto parado há três meses raramente melhora sozinho — quanto antes virar caixa, melhor. E não comprar de novo.

8. Diferença de caixa

O que é: a diferença entre o dinheiro esperado e o contado no fechamento de cada turno.

Como ler: por turno e por pessoa, nunca agregado. Centavos são normais; padrão repetido não é.

Qual decisão: treinamento se forem erros de troco, revisão de procedimento se concentrarem num turno específico. Sem turno de caixa identificado, este indicador não existe.

Uma rotina de 15 minutos por semana

Segunda de manhã, nesta ordem:

  1. Faturamento da semana contra a semana anterior e contra o ano passado.
  2. Número de vendas e ticket médio: de onde veio a variação?
  3. Margem: o mix mudou?
  4. Vendas por hora: a escala ainda bate com a demanda?
  5. Top 10 e produtos sem venda: pedidos da semana e decisão de liquidação.

Quinze minutos. A maior parte das decisões de um comércio pequeno sai daí.

Erros ao interpretar relatórios

  • Olhar só o faturamento. É o indicador que mais sobe e menos explica.
  • Comparar com o período anterior em vez do mesmo período do ano passado. A sazonalidade engana todo mês.
  • Tirar conclusão de um dia. O ruído diário é enorme; trabalhe com semanas.
  • Não cadastrar custo. Deixa metade dos indicadores fora do jogo.
  • Não registrar quem vendeu. Sem atribuição, diferença de caixa e desempenho individual ficam invisíveis.

Perguntas frequentes

Com que frequência devo olhar os relatórios?

Semanal para decisões operacionais (compra, escala, promoção) e mensal para as estruturais (mix, preço, equipe). Olhar todo dia costuma levar a reagir a ruído.

Se eu só pudesse olhar um indicador, qual seria?

Margem bruta. É o único que combina volume, preço e custo — e, portanto, o único parecido com o seu lucro real.

Como calculo a margem se não tenho os custos cadastrados?

Não dá, e é por isso que vale dedicar uma tarde a lançar o preço de custo de cada produto. Depois disso o sistema calcula sozinho em cada venda.

Relatório adianta em uma loja pequena?

Especialmente. Num negócio pequeno, uma decisão de mix ou de escala muda o resultado do mês inteiro. Numa rede grande esses efeitos se diluem; no seu, não.

Por quanto tempo os dados de venda ficam guardados?

Depende do sistema e do plano: existem planos gratuitos que guardam 30 dias e outros que guardam anos. Vale conferir antes de escolher, porque sem histórico você não compara com o ano anterior.

Para continuar

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